Mariana: A política brasileira, recheada diariamente com escândalos e personagens que deixariam Pinóquio no chinelo de tanta mentira, consegue fazer com que seus acontecimentos se sobreponham de tal forma que basta um tempinho para que os fatos menos recentes caiam no esquecimento.
Há dois meses, os denunciados por crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção, peculato e falsidade ideológica, no vergonhoso caso do mensalão nacional, permanecem impunes.
Por que nos vangloriamos de uma democracia que, na prática, ainda está longe de se concretizar? Elegemos representantes que defendem seus interesses particulares e os dos seus financiadores de campanha.
Plagiando o Presidente da República, "nunca nesse País" homens públicos se mostraram tão abertamente corruptos. Tiraram o biombo, como o senador genérico Wellington Salgado (PMDB-MG) que promete franciscanamente se vender por um metafórico chinelo novo. Ninguém duvide de que estão jogando fora o dinheiro do contribuinte com esses processos lengalenga contra o Presidente do Senado. Ele será absolvido de tudo, como foi do primeiro, ganhando o atestado de honestidade.
Como se não bastasse, no cenário de sucessivos escândalos, impunidades e acordos vergonhosos, muitas vezes incentivados pelo próprio Governo, a Mesa do Senado acaba de dar a sua contribuição: conseguiu, em um só dia, "presentear" a população duas vezes.
Primeiro, decidiu congelar a sexta representação contra Renan Calheiros (PMDB-AL), na qual é acusado de liberar recursos por meio de emenda parlamentar para uma empreiteira fantasma, de um ex-assessor de seu gabinete.
Em seguida, por unanimidade, decidiu pelo arquivamento da representação contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado de comandar o esquema de corrupção do "mensalão mineiro", que distribuiu cerca de R$ 100 milhões na campanha eleitoral de 1998, quando Azeredo tentava se reeleger Governador de Minas.
O ardiloso acordo PT-PSDB, que enterrou a investigação do valerioduto tucano contra o senador Eduardo Azeredo, em troca de apoio à aprovação da CPMF, teve o "mérito colateral" de livrar o avalista da operação mineira e agora operador político do Planalto, o ministro Walfrido dos Mares Guia.
Mais uma vez, a CPMF entra como carta na manga dos jogos partidários entre PT, PMDB e PSDB. Azeredo salvo, pontos acumulados para a prorrogação da "contribuição", que de provisória não tem nada.
Por baixo do tapete azul do Senado cabe muita sujeira. Continuaremos amadores perante nossos políticos profissionais na arte de conduzir a realidade a favor dos seus interesses particulares. Salve a impunidade.
Sinceridade...
Sendo o dia 28 de outubro o Dia do Servidor Público, comenta-se que o Prefeito Celso Cota deu a seu Chefe de Gabinete um lindo presente acompanhado de um cartão com a seguinte dedicatória: O que nós dois estamos fazendo aqui só Deus sabe...
Credo!
José Sérgio Freitas Guimarães
Técnico Mineração - Aposentado


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