De olho no Ponto



Como já dissemos anteriormente nessa coluna, no Jornalismo, construir sentidos é reduzir incertezas. E para que isso seja alcançado, o jornalista deve criar certa disciplina na verificação, apurando as informações para construir a matéria com a maior pluralidade de fontes, cada uma dessas com sua possível versão.
Na análise feita do semanário de 14 a 20 de outubro, percebemos algumas lacunas que deixam parte dos textos com difícil compreensão, essas lacunas são resultados da falta de acompanhamento da apuração durante a formulação da pauta e durante a edição do texto. Como por exemplo, Manifestação do SAAE causa tumulto em reunião da Câmara, faltou apurar na matéria o posicionamento da empresa EMPAR das acusações que foram feitas a ela. Faltou também o posicionamento da diretora do SAAE, Juliana de Almeida, e de seu esposo, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Rodrigo Luiz de Almeida, acusado de nepotismo.
Outro exemplo da falta de apuração em todo o processo de construção da matéria está em Nêgo rebate propaganda do SAAE e fala sobre apoio à atual prefeita, qual é o gancho da matéria? É o fato do vereador José Ramos, conhecido como Nêgo ser contra a cobrança da água no munícipio e não a favor como supostamente havia sido dito na peça publicitária do SAAE? Ou ele procurou o Jornal para falar que apoia a reeleição da atual prefeita nas próximas eleições? Percebe, leitor, que não há uma seleção de fatos, ficando assim difícil de organizar um sentido para a narrativa? Se a pauta fosse apenas a incoerência da campanha publicitária do SAAE ao afirmar que o vereador era a favor da cobrança, o SAAE deveria ter sido questionado a respeito de como os dados da campanha haviam sido fornecidos, houve algum tipo de pesquisa?
A disciplina de verificação que o jornalista deve ter como exercício diário de sua profissão de apurar a notícia, checar e rechecar dados e fontes implica, também, em se perguntar e apurar qual é a intenção da fala das fontes. Quais são os interesses da fonte em dar informações e suas versões aos jornalistas? E, a partir de então, se perguntar quais são as outras versões para o mesmo fato ou dados que contradizem a versão dada pelas fontes.
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Por Ana Malaco e Luiza Barufi