Relíquias encontradas na Igreja da Sé

Publicado: Thursday, 02 de July de 2009 as 22:51h Faça seu comentário

 

As pedras encontradas na Igreja da Sé vieram de Roma e sobre o assunto o Padre disse que “Quando nós chegamos à paróquia, não tínhamos estas pedras nos altares”. Pedra Ara é um mineral de mármore sagrado pelo bispo e contém relíquias de mártires (podem ser um pedaço de seu osso, de alguma veste ou de um pertence do mesmo).

Tudo leva a crer, então, que elas foram removidas dos seus lugares por haver risco de serem roubadas ou danificadas, assim, ficaram escondidas durante um longo tempo – considerando que o próprio Padre Paulinho não sabia dessa existência – e só agora foram descobertas.

Afonso Rodrigues de Moraes comandou a pesquisa feita pela equipe de restauração que encontrou as pedras, que logo foram limpas, purificadas e recolocadas em seus respectivos altares. Antes, estavam perdidas nos escombros da catedral, no segundo andar e em outros cantos.

Segundo o guia Paulo Gomes da Silva, “Estas pedras são muito importantes, pois representam fragmentos de mais um grande patrimônio.”

Quadro dos Bispos

Quadros dos Bispos, que estavam bastante danificados, estão sendo restaurados. Padre Paulinho explicou que, depois de anos, foi feito um convênio com a fundação de Artes de Ouro Preto (FAOP), no qual a paróquia investe com parte da mão-de-obra e material enquanto a FAOP arca com a restauração em si.

As pinturas representam a dinastia dos bispos, desde Dom Frei Manoel da Cruz até Dom Antonio Viçoso.

Os oito quadros que estão sendo restaurados se encontram na FAOP há três meses. Padre Paulinho acredita que até o fim do ano os quadros estarão revitalizados e em seus devidos lugares. “Agradecemos muito à Claudia, coordenadora do Núcleo de Restauração da FAOP, e também à confiança que o nosso Arcebispo depositou em nós para que pudéssemos coordenar este trabalho de restauração”, declarou o Padre.

O altar


Após o incêndio da Igreja do Carmo, todas as paróquias se mobilizaram para ajudar em sua recuperação e logo receberam a doação de um altar antigo. No entanto, ele foi rejeitado por não combinar com os padrões estéticos da igreja.

O altar, datado do século XVIII, chegou totalmente danificado e estava sendo mantido na Igreja do Carmo. Através da iniciativa de Padre Paulinho e Cônego Paulo o altar foi doado para a Igreja do Santo Expedito.

A equipe de restauração, composta por marianenses, é chefiada por Afonso Rodrigues Moraes, e já estão finalizando o trabalho. “Acredito muito nesse povo, amo muito essa cidade e vejo que devemos valorizar os nossos artistas, ocupar os nossos marceneiros, pedreiros, pintores a nossa mão de obra local, que é de grande conhecimento cultural. Aqui em Mariana se respira arte e cultura, então não poderíamos jamais trabalhar sem o valor humano, cultural e das pessoas que aqui moram” finalizou Padre Paulinho.

O chafariz

Há informação de que existe um chafariz enterrado ao lado da catedral. Uma equipe está sendo contratada para realizar as escavações e, caso a informação confira, ele será colocado em seu lugar. “O chafariz lembra a água e o encontro de Jesus com a Samaritana, o que nos remete à água da vida. Nós aprendemos que ser da igreja é cuidar do templo e daquilo que ele nos oferece que são seus valores humanos, artísticos, culturais, e principalmente, religiosos”, desabafou Padre Paulinho.

Padre Paulinho pede para que cada um se comprometa, de acordo com a sua possibilidade, com a conservação da fé e dos bens culturais que herdamos do passado, e acrescentou dizendo que somos responsáveis pelo que deixaremos para o futuro.

Cuidado com as obras

Algumas pessoas fazem uso de material cortante para deixar registrados os seus nomes em obras que, deste modo, acabam sendo danificadas. Por isso, Padre Paulinho pede a todos que não usem as unhas, dedos, facas e canivetes nas obras a fim de que continuem preservadas.

Afonso Rodrigues fala sobre o trabalho

Esta foto, o artista Afonso Rodrigues de Moraes está em frente às grandes obras realizadas juntamente com a população e a catedral.

Além de artista, Afonso é engenheiro, arquiteto, restaurador, arqueólogo e escultor. Natural de Mariana, já morou em São Paulo, Rio de Janeiro e nos Estados Unidos.

Após terminar seus trabalhos na América do Norte retornou à Mariana para passar férias. Aqui ele encontrou Padre Paulinho que falou de seu projeto na Cartucha, e assim tudo começou. Afonso nunca tinha trabalhado com templos, sendo o das cabanas o primeiro da categoria.  Para ele a inspiração da Igreja do Santo Expedito veio das obras de Aleijadinho e Mestre Ataíde.

Na Igreja da Sé, Afonso alega que foi olhando tudo detalhadamente quando encontrou as pedras que vieram de Roma. Já sobre o chafariz o artista diz que algumas pessoas vieram até ele para comentar a sua existência. Primeiramente farão uma sondagem, e qualquer fragmento encontrado será anunciado ao IPHAN para que possam ter autorização para a retirada do chafariz.

Agradecimentos

“Agradeço a Deus e a todos que estão ajudando, e peço a Deus para iluminar as nossas comunidades. Que todos possam viver a sua comunhão em conjunto e dizer que a Igreja do Santo Expedito realmente marcará a história de Mariana, pois aqui se respira cultura, religiosidade e encontro com Deus”, diz Padre Paulinho.

“Tenho que agradecer muito ao Padre Paulinho que está me apoiando, dando a maior força. Se não fosse ele, nós não estaríamos achando nada disso. Agradeço também a todos que colaboram com o nosso trabalho”, agradeceu Afonso Rodrigues Moraes.  
Ajuda

O cidadão que quiser ajudar, basta ir ao escritório Paroquial ou procurar as lideranças da comunidade do Santo Expedito.

Publicado Thursday, 02 de July de 2009 as 22:51h. Você pode fazer um Comentário ou mandar um Trackback do seu blog ou site e pode também seguir os comentários atraves do Feed de comentários.

  1. Um comentário
  2. Ronaldo M BaêtaFriday, 03 de July de 2009 as 05:30h

    Lembro-me dessas pedras na igreja da Sé, na época em que fui coroinha lá, na década de 70. Elas ficavam sobre uma abertura sobre os altares laterais principais.Acho muito estranho os sacerdotes nunca terem observado essas peças.

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