A TV Assembléia vem reprisando o debate ocorrido na Assembléia de Minas com a participação dos deputados e sindicalistas mineiros. Segundo um dos participantes, a Vale explora o minério há 67 anos em Minas Gerais com recordes de produção e de faturamentos bilionários, se projetando assim dentre as dez maiores do mundo. Os dados encontrados no site da mineradora demonstram que as duas concorrentes diretas da Vale, somando suas respectivas produções e faturamentos, não se aproximam dos recordes da maior mineradora do Brasil.
Sindicalistas e políticos anunciaram demissão em massa de 10 mil funcionários, sendo 80% destes, mineiros. Outro dado relatado foi que para cada funcionário demitido da Vale, são desempregados indiretamente treze outros funcionários no ramo da indústria e siderurgia. Se isto ocorrer, o estado de Minas Gerais será altamente penalizado, deixando os municípios de influência direta da mineradora com 130 mil desempregados.
Ao final do debate, um sindicalista conotou a empresa como aquela que “cospe no prato em que comeu”. Segundo este, não existe crise na empresa, uma vez que em janeiro deste ano a Vale apresentou números de faturamentos bilionários no mercado mineral e que o real motivo destas demissões é o projeto de explorar minério do Pará.
Contrato de Lavras
Foi abordada de forma abrangente a necessidade de se avaliar os contratos de Lavras com as mineradoras de Minas. Levantamento geológico dá conta de que a exploração pode estar ocorrendo de forma ilegal, explorando também prata, ouro e bauxita, ou seja, estamos vendendo caviar a preço de torresmo.
Recursos Hídricos
Outro item salientado durante o debate foi a exploração de nossos recursos hídricos que prevêem escassez em um futuro próximo em Minas Gerais, causado pelo desmatamento que, consequentemente, culminou em centenas de nascentes de Minas Gerais. Para se ter uma ideia, a Samarco Mineração, em sua logística operacional, faz o bombeamento de seu minério através de tubos e bombas volumétricas, sendo o conteúdo líquido aproximadamente 70% de água, saindo de Minas para o Espírito Santo.
Investimento no Pará
O grande questionamento e conclusão dos participantes foram de que após tantos anos de exploração do minério, a Vale usa como pretexto a crise mundial para articular a transferência de sua produção e investimentos para o estado do Pará, que possui reservas com minério de melhor qualidade e de maior facilidade de extração.
Flagelo Municipal
Caso ocorra esta possibilidade, a Vale deixará muitos municípios mineiros em verdadeiro estado de calamidade. Para receber as numerosas famílias que migraram para gerar mão de obra especializada, a empresa e os municípios investiram pesado em suas infra-estruturas sobrecarregando principalmente os investimentos na saúde e na educação. A demissão em massa especulada deixará os municípios como cidades fantasmas, sem arrecadações de impostos e, conseqüentemente, com a receita deficitária para demanda local.
Conclusão
Assim como os dados divulgados no site da Vale deixam os mineiros apreensivos e com uma visão contrária em relação à empresa, a agonia da classe trabalhadora em Minas Gerais cresce a cada dia devido à falta de informações precisas. A esperança só existe se acreditarmos na intervenção da classe política e sindicalista para influenciar a maior mineradora do Brasil a rever seus projetos e convicções.
Vale desmente deputados e sindicalistas
De acordo com o assessor de comunicação da Vale, Marcone Andrade, os relatos ocorridos na Assembléia de Minas não conferem com a verdade.
Não existe plano de demissão e massa no Brasil e muito menos o numero mencionado de 10 mil desempregos.”As demissões da Vale são anunciadas com antecedência e as únicas prováveis são os de 250 a 300 funcionários aposentados” afirmou Marcone.
Ainda sobre os questionamentos de deputados e sindicalistas, o assessor disse que a mineradora não tem o intuito de transferir sua produção para o norte do país.
“As informações de que a Vale passaria a explorar minério no Pará não procedem. Apenas três minas no Estado foram paralisadas temporariamente (Barão de Cocais e Nova Lima). A Vale tem projetos que devem ser implementados no estado em breve e não vai parar com os investimentos em Minas”, concluiu Marcone.




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