Família, Educação e seu avesso.
Francisco Moura - Professor de Psicologia da Universidade Federal de Ouro Preto
Não há dúvidas nenhuma para a sociedade moderna que a família é o porto seguro para o desenvolvimento de uma criança. É neste ambiente social chamado família que a criança se sente segura nos seus primeiros anos de vida, principalmente por receber as condições necessárias para a manutenção de sua vida, tais como proteção, alimentação, acolhimento, afeto etc. E todas as vezes que uma criança vivencia uma situação de desconforto ela recorre à sua família com a certeza de que obterá deles a segurança necessária. Além da proteção, a família nutre seus ideais fazendo com que ela continue progredindo.
Existem, todavia, diferentes estilos de famílias, com diferentes ideais e maneiras de ser. Esta heterogeneidade do comportamento dos grupos familiares interessa pouco no debate de hoje, pois, independente da estrutura do seu grupo familiar, sempre será à sua própria família que recorrerá. Isto me permite afirmar que nenhum indivíduo na sociedade moderna é capaz de viver isolado de um grupo social. Os pais, ou os adultos responsáveis por uma criança, fazem de tudo para garantir a sobrevivência de seus filhos, oferecendo-lhes sempre, de forma incondicional, o melhor daquilo que têm condições de ofertar. Frente ao exposto acima, emerge na nossa experiência de adultos pais e adultos educadores algo que é surpreendente nos dias atuais: o desrespeito aos pais ou o não reconhecimento do esforço e da dedicação que fora oferecida aos filhos enquanto eram crianças. Independente da idade do filho. A questão que se apresenta é intrigante. Por que, quando se transformam em adolescentes ou em adultos, muitos dos esforços dispensados pelos pais não são reconhecidos pelos filhos? Sobre qual pilar se sustenta a falha do processo educativo que gerou este tipo de reação?
Comportamentos desta natureza têm se tornando cada dia mais freqüente. Há alguns anos a mídia noticiou filhos matando pais, netos agredindo avós etc; além dos casos camuflados de agressão de natureza psicológica, física e moral de filhos contra os pais que acontecem no cotidiano das famílias.
Enfim, o que temos visto na verdade de forma assustadora é o avesso do processo educativo que oferecemos aos nossos filhos e aos nossos alunos. A questão que todos nós devemos colocar é sobre o que está causando este fenômeno de ataque ao grupo familiar e a seus diferentes personagens; este grupo que deveria funcionar na verdade como o porto seguro da prole.




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