A pergunta que introduz o tema de hoje é para fazer pensar a partir de algo que aparentemente parece ser óbvio: será que a educação através do castigo é a melhor forma para educar uma criança ou um adolescente?
De fato, a introdução das formas punitivas domésticas, conhecidas como castigos, seguidas das agressões físicas e verbais, foram estratégias de educação de crianças por muitos anos em nossa sociedade. Pelo fato de se falar pouco sobre esta questão, crianças eram vítimas de inúmeras formas de violência. E o mais cômico, ou trágico, é que frente aos olhos dos adultos isso era normal. Progressivamente, observa-se o abandono do castigo físico ou vexatório, que humilhavam descaradamente as crianças e os adolescentes, para dar lugar a outras estratégias educativas.
Outra questão que nos acompanha é saber se há uma possibilidade de diferenciar um castigo que envolva uma força física de um castigo que envolva uma ação moral e\ou se ambos tem a mesma funcionalidade educativa. Nas duas situações, o que se coloca em evidência é o fato de poder ser o castigo um instrumento de coerção e de controle em que os efeitos podem dar resultados pouco benéficos ao desenvolvimento global da criança. Entretanto, é necessário deixar claro que a agressão física contra crianças é, no mínimo, imoral e, neste sentido, nossa sociedade tem tentado progressivamente eliminá-la na íntegra. Para um adulto chegar ao ponto de bater em uma criança com o objetivo de controlar o comportamento dela, é porque o adulto já atingiu um estágio de descontrole. Assim, o uso da força física apenas denuncia a fraqueza do adulto em controlar suas emoções.
Os tempos mudaram e a sociedade reconheceu o quanto é dispensável esses métodos educativos, em conseqüência, surgiram outros mecanismos de apoio aos familiares e educadores neste processo educativo.
Apesar do longo debate sobre os aspectos negativos implícitos na aplicação de castigo, fico convencido que castigos dados aos nossos filhos e aos alunos são excelentes mecanismos de apoio desde que sejam respeitados os seguintes aspectos : não sejam os castigos uma forma para descarregar sobre a criança nossos problemas de adultos ; - Abandono total de toda e qualquer forma de violência física vinculada ao castigo contra a criança e adolescentes ; - não expor a criança ao ridículo ; - preservar a autonomia e a auto-estima da criança e do adolescente. Finalmente, devo afirmar que é possível falar de uma estratégia para melhor utilização do castigo, ou seja : o castigo não pode ser uma « descarga nervosa sobre a criança ou adolescente ».
Francisco Moura
- Professor de Psicologia da Universidade Federal de Ouro Preto




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