Desde que Duda Mendonça criou o estilo "Lulinha Paz e Amor", por exemplo, que levou Lula às culminâncias de sucesso eleitoral e garantiu-lhe a reeleição, transformou-se em mandamento capital do marketing político não atacar graciosamente o adversário. Pode ter efeito bumerangue. A resposta a um ataque ou um ataque em forma de resposta tem que ser muito bem equalizado. É preciso abordar no atacado, não no varejo. Em princípios da vida pública, não em adereços do adversário.
É claro que nem o mais feiticeiro dos marqueteiros é capaz de transformar sapo em príncipe, vender a imagem de candidato ruim feito sabonete de loja de perfumaria. Mas uma adequada assessoria de comunicação é decisiva na vida de todo e qualquer candidato. É óbvio que em tempos de vacas magras não há tanto dinheiro para investir pesado em grandes agências de publicidade.
Leio na imprensa, por exemplo, que o candidato do PSB da capital, Márcio Lacerda, vai torrar nada menos do que 6 milhões na produção de rádio e TV. Com a proibição dos artistas nos comícios, os chamados showmícios e o presumido desaparecimento de eleitores na soleira de palanques armados em praças públicas, principalmente nas grandes cidades o horário gratuito eleitoral no rádio e TV , o chamado palanque eletrônico, passou a ser a bola da vez. Mas precisa se apresentar esteticamente palatável , senão o gesto comum é desligar o botão da TV. Por isso, o interesse no investimento pesado na produção de TV e rádio.
O marketing também será decisivo na campanha Barack Obama x John McCain. Os marqueteiros do candidato republicano, nos últimos dias, fizeram uma jogada de mestre: diante da exagerada exposição na mídia de Barack Obama, a campanha de McCain o comparou a celebridades como Paris Hilton e Britney Spears, estrelas do mundo pop que constantemente estão enroladas em vexames públicos, de drogas a bebedeiras e outros ultrajes.
Foi o suficiente para o republicano disparar. Agora, John McCain cravou 44 pontos nas pesquisas, em empate técnico com Obama, que mesmo tendo uma imagem excessivamente midiática, patina nas pesquisas e está cortando um dobrado para manter-se empatado com o velho senador republicano, de 71 anos.
Na linguagem subliminar do marketing, a estocada republicana passa a imagem de um Obama fútil e despreparado, como Paris Hilton e Spears.
Isso porque o democrata nunca foi um gestor executivo e é um novato na política, enquanto o experiente McCain é visto como mais versado para lidar com questões explosivas, como terroristas, Afeganistão, Iraque, Irã, imigração ilegal. Mesmo a cabeleira loira de Paris Hilton ou a careca da doidona Britney Spears, quem diria, podem ser ingredientes do marketing eleitoral.
Mauro Bomfim
Advogado e jornalista - maurobomfim@maurobomfim.com.br


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