Polícia conclui inquérito e prende três suspeitos do assassinato de João Ramos

Publicado: Thursday, 24 de July de 2008 as 17:21h Faça seu comentário

Na última segunda-feira, dia 21, a Polícia Civil apresentou os três suspeitos de matar o ex-prefeito de Mariana, João Ramos Filho, 78. De acordo com o inquérito ocorrido em Belo Horizonte, Leonardo Stigert da Silva, 26, Guaracy Goulart Moreira, 48, e Francisco de Assis Ferreira Carneiro, conhecido como "Chico da Farmácia", 52, foram os responsáveis pelo assassinato, que ocorreu no dia 15 de maio.

Após dois meses de investigação, o Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) encontrou Leonardo e Guaracy nas cidades de Leopoldina e Juiz de Fora. Segundo a Polícia Civil, "Chico da Farmácia" foi o mandante do crime. Ele teria encomendado a morte de João Ramos porque o considerava um forte concorrente para a eleição municipal da Prefeitura de Mariana.

Os envolvidos no crime negaram as acusações e a assessoria de campanha de Francisco alega que o candidato sofria perseguição política.

Detalhes do crime

Segundo a Polícia Civil, de acordo com o depoimento de Leonardo que confessou o crime, no dia 14 de maio, "Chico da Farmácia" levou Guaracy e Leonardo para conhecer o galpão em Ouro Preto de sua propriedade. Lá seria o local onde seria guardada a motocicleta utilizada no assassinato. No mesmo dia, Guaracy e Leonardo voltaram ao galpão, guardaram a moto e retornaram para Mariana no veículo de Guaracy. No dia 15 de maio, os dois suspeitos acordaram por volta das 5h, saíram de carro para buscar a moto guardada no galpão e marcaram encontro na Rodoviária de Mariana. De lá, eles sairam de motocicleta para fazer tocaia ao ex-prefeito. Após ser parado pelos suspeitos, João Ramos tentou oferecer dinheiro, depois de um tiro na porta do carro e outro em seu antebraço, mas Guaracy disparou mais três tiros à queima roupa. A testemunha que estava com a vítima não reconheceu os criminosos, pois usavam capacete. Após o crime, Leonardo deixou Guaracy em Mariana e foi guardar a moto em Ouro Preto. Guaracy buscou Leonardo em Ouro Preto, de carro, e juntos fugiram para Juiz de Fora.

A motocicleta furtada

Leonardo e Guaracy furtaram a moto, que seria do farmacêutico Pedro Lima, um dos funcionários de "Chico". Os suspeitos tentaram ocultar a cor original do veículo, que é azul, utilizando adesivo amarelo. Segundo o inquérito, Francisco também é suspeito tentar matar Pedro. Oito dias após o crime, "Chico" deu férias e dinheiro para o funcionário passar alguns dias em São Paulo, mas Pedro retornou para Ouro Preto, pois não tinha levado nenhuma roupa para BH. Sem outra alternativa, Francisco chama o empregado para beber e tenta envenená-lo. "Depois de consumir bebidas alcoólicas com o seu patrão (Chico da Farmácia), Pedro foi internado em estado grave na Santa Casa de Ouro Preto", disse o delegado Rodrigo Fragas.

A obsessão de Chico

Segundo amigos mais íntimos de Francisco, o suspeito comentou que seria prefeito de Mariana a qualquer custo. Um dos delegados responsáveis pela investigação, Rodrigo Fragas, disse que poderia haver mais mortes por motivos políticos. A intenção de Chico era matar o principal concorrente à Prefeitura, deixando as suspeitas recaírem sobre o grupo do atual Governo, por causa das divergências entre Celso Cota e João Ramos, ou seja, com a morte do ex-prefeito, Chico acreditou que herdaria os votos da vítima e que as suspeitas apontariam para Celso Cota, atual Prefeito. Dessa forma, a campanha política de Roque Camêllo, candidato apoiado por Celso, seria abalada. Além disso, Chico espalhava boatos de que João Ramos estava com a candidatura inelegível, por isso o ex-prefeito o apoiaria nessas eleições.

As provas e os suspeitos

Os policiais averiguaram as provas e trabalharam pensando em duas possibilidades para o crime: uma delas poderia ser latrocínio, já que a vítima tinha acabado de fazer o acerto das vendas de seu posto de gasolina e estava com uma quantia alta em dinheiro. Além disso, o posto já foi a

lvo de muitos assaltos. Mas essa possibilidade foi praticamente descartada após saber que a passageira que estava no veículo do ex-prefeito ofereceu dinheiro aos suspeitos que recusaram, executando João Ramos.

A outra possibilidade seria crime político, uma vez que a vítima liderava as pesquisas eleitorais deste ano, com mais de 30% dos votos, e Chico da Farmácia era um concorrente direto às eleições para Prefeitura Municipal de Mariana.

Chico da Farmácia (suspeito de ser o mentor)

Dias após o crime, a Polícia recebeu informações anônimas de que os pistoleiros teriam se hospedado na Pousada das Gerais, de propriedade de Chico. Na apuração dos fatos, os policias descobriu que dois homens se hospedaram três dias antes do crime e teriam saído no dia do assassinato, poucas horas antes da execução. Além disso, os homens estavam com registro incompleto. No lugar dos nomes havia o apelido de Guará (Guaracy) e Leo (

Leonardo) e as suas despesas eram por conta de Chico. Outra denúncia recebida pela Polícia dizia que a arma do crime estava na Pousada e a moto em um galpão em Ouro Preto. No dia da prisão de Chico, funcionários e a irmã do suspeito esconderam a arma e foi confirmado que a moto realmente estava em um galpão na cidade vizinha. Porém, no dia da operação Estrada Real, o veículo já tinha sido devolvida para Pedro Lima, dono da moto e funcionário de uma das farmácias de Chico.

Ao ser interrogado sobre os dois homens, Francisco afirmou que eles eram vendedores de seringa, mas foi desmentido pelos seus próprios funcionários que disseram que Chico só compra de uma distribuidora e nunca de viajantes.

Uma semana após o assassinato de João Ramos, Pedro Lima foi internado em estado grave na Santa Casa de Ouro Preto, após ser envenenado. Evidenciadas essas provas, a Polícia prendeu Chico da Farmácia. Mesmo com as suspeitas levando a ele, Francisco diz que não matou João Ramos Filho, que também não tentou matar Pedro Lima e que não tem envolvimentos com cargas roubadas. "Sou inocente e vou provar", desabafou Chico.

Durante depoimento no inquérito em Belo Horizonte, Chico disse ser amigo de João Ramos e ressaltou que os dois tinham um acordo político, mas foi desmentido pela família e amigos do ex-prefeito.

Guaracy Goulart Moreira (suspeito de ser autor dos disparos)

A Polícia Civil prendeu Guaracy no dia 8 de julho, na cidade de Leopoldina, após receber denúncia anônima. A sua prisão foi decretada no dia 16 de julho. Em Leopoldina já se desconfiava que Chico comprava cargas roubadas e os policiais procuraram pessoas com passagem por este delito em todas as delegacias. Na busca, eles encontraram um homem com apelido "Guará", que seria Guaracy. Após confirmação através de fotos, Guará confirmou ser amigo de Chico e negou a acusação de ser o autor dos disparos, dizendo que pagará por um crime que não cometeu.

Leonardo Stigert da Silva (suspeito de ser o condutor da moto)

Leonardo foi preso no dia 17 de julho, na cidade de Juiz de Fora, logo após a prisão de Guará, pelo fato da Polícia ter verificado que apenas a esposa de Guaracy e Leonardo o visitaram na penitenciária Professor Ariosvaldo Campos Pires, que fica na cidade de Leopoldina. Além disso, o Leonardo tinha as mesmas características do hóspede. Leonardo foi preso e confessou a sua participação e o de cada um dos envolvidos no crime: ele afirmou que Chico foi o mandante e que Guará efetuou os quatro disparos. Leonardo aproveitou para dizer que foi obrigado a participar e que a moto realmente era de Pedro Lima. Durante a coletiva no DIHPP, Leonardo não se pronunciou.

Pena

Os acusados devem ser condenados de 12 a 30 anos de prisão, por homicídio duplamente qualificado, motivo torpe e emboscada. Chico ainda responde pela tentativa de homicídio a Pedro Lima.

Publicado Thursday, 24 de July de 2008 as 17:21h. Você pode fazer um Comentário ou mandar um Trackback do seu blog ou site e pode também seguir os comentários atraves do Feed de comentários.

  1. Um comentário
  2. Marilza santannaTuesday, 29 de July de 2008 as 12:33h

    Parabéns a toda a equipe da polícia

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