É impressionante a quantidade de pessoas que confundem o nosso trabalho de jornalista com outras profissões que vemos por aí. Principalmente nossos amigos, que sempre estão do nosso lado, nos apóiam nas tomadas de decisões e por vezes são até mesmo clientes queridos que buscam caminhar e unir forças conosco.
O problema é quando esbarramos nos negócios. Não é a toa que o ditado "amigos, amigos. Negócios à parte" está cada vez mais presente no nosso dia-a-dia. Em um jornal, por exemplo, muita gente confunde o papel de um veículo de comunicação, achando que é um pedaço de papel que serve apenas para fazer propaganda de negócios regionais, colher um pouco de notícia, apoiar candidatos eleitorais e, principalmente, omitir quando se trata de cliente e até mesmo cobrir os deslizes cometidos pelos "amigos". Mas qual seria a função de um veículo de comunicação?
Quando fazemos essa pergunta, rapidamente temos que esquecer de tudo e todos, pensando apenas no leitor. Aliás, qualquer leitor, ouvinte ou telespectador quer ver as notícias, independentemente de quem estiver envolvido. Não interessa se o irmão do vizinho está na matéria ou se é a esposa de um homem há quilômetros de distância do leitor. O que ele quer, na verdade, é saber o que acontece na sua região, na sua cidade, no Brasil, no mundo.
Pensando na necessidade do leitor de se informar, os profissionais de comunicação devem noticiar tudo o que acontece. Um jornalista não pode se pautar pela amizade. Se um companheiro fizer algo que dê notícia, sendo bom ou ruim, deve aparecer no jornal. Um exemplo disso ocorreu há pouco tempo, quando o professor e um dos sócios do cursinho pré-vestibular Coopvest, Salsicha, confundiu o trabalho jornalístico com amizade. Na última festa promovida pela empresa, houve briga e o Jornal, no direito e no dever de informar o leitor, noticiou o fato, independente de quem estava envolvido. Salsicha ficou irritado com a matéria publicada e chegou a fazer acusações duras chamando o Jornal de sensacionalista. Na visão dele, o Jornal não deveria publicar o fato ocorrido no evento porque se tratava de um cliente.
O que o leitor ou até mesmo o "amigo" do jornalista deve entender é que o trabalho do profissional de comunicação é apurar os fatos, ouvir os lados envolvidos e noticiar o ocorrido com credibilidade e ética. Estamos abertos para negociar e discutir assuntos pertinentes que possam ser bons para todos os lados, mas sem deixar de lado o caráter principal de um jornal: informar o leitor.
Rômulo Passos


Comundo e elogio o artigo Amigos amigos.....o bom jornal é sem dúvida aquele que sabe separar amizades, companheirismos e ser fiel aos fatos acontecimentos.
Parabéns ao redator por sua visão profissional sobre a matéria.