“Baratas”

Publicado: quinta, 24 de julho de 2008 as 16:22h Faça seu comentário

Não sabia como começar a contar essa história, tamanha foi a aversão pelo começo dela. Eu, como toda mulher, sempre tive medo de barata. Medo não. No meu caso a reação inicial era de pânico. Pavor de um bichinho que não tem nem dez centímetros. Como explicar essa reação a um inseto muito mais asqueroso do que perigoso? Pois é... Não dá...

Talvez se eu remontasse o momento inicial de medo, encontraria eu bebê no berço chorando por uma barata ter passado por cima de minha chupeta... Pura especulação. Até me lembro parcos momentos de coragem, em que mamãe apavorada gritava e eu, salvadora desde a morte de meu pai, dava cabo das infelizes com a vassoura.

Barata voadora então... Era uma afronta... Mantínhamos nossa casa toda fechada na esperança de não encontrar nenhum inseto.

O tempo passou, fui crescendo e, com ele, perdi minha audácia e passei a apavorar-me com barata. Aliás, é um medo estranho e irracional. Proporcional a quantidade de pessoas que tem no local. Principalmente do sexo masculino. Se remontarmos a análises freudianas, concluirí-amos que a falta do pai pode ter causado esse medo e a necessidade de proteção. Sei lá. Só sei que tenho medo mesmo, com platéia. E faço escândalo... Digo isso por ter passado por uma cena bem desagradável esta noite. Repulsiva...

Levantei habitualmente para levar meu sonolento filho ao banheiro. Esse sim, um estóico herói que já me ‘salvou' algumas vezes do abominável ser marrom de perninhas finas... E, então, lá ia eu puxando o menino pela mão, quando ao chegar na entrada do banheiro me deparo com uma cena sórdida e digna de filme pornô.

Duas baratas copulavam na porta do banheiro. Minha reação instintiva de mãe foi colocar o menino atrás de mim. Aos cinco anos deparar com uma cena desse gênero no mínimo o faria perguntar o que uma barata fazia por cima da outra...

E definitivamente eu não queria dizer que uma machucou a perninha e a outra a ajudava...

Esse foi o momento de transformação. Sozinha, com minha cria, me torno uma leoa para defendê-lo. Praticamente como Rambo, amarrei minha ‘faixa' virtual na testa e descalcei minhas Armas Rosas Calibre 37. Um tiro foi suficiente. Anos treinando pontaria à distância fizeram que apenas uma chinelada matasse as duas e tirasse a tremidinha de gozo de suas antenas...

Fui buscar a pá e elas sequer se mexiam. Sinal de um bom tiro. Agora descobri que sou capaz de matar a sangue frio. Recolhi os cadáveres tal qual o rabecão faria e com um sorriso no olhar dei descarga: Adíos Muchachas!

Samantha Freitas

 

Publicado quinta, 24 de julho de 2008 as 16:22h. Você pode fazer um Comentário ou mandar um Trackback do seu blog ou site e pode também seguir os comentários atraves do Feed de comentários.

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