200 anos de notícia

Publicado: quinta, 19 de junho de 2008 as 22:44h Faça seu comentário
No último dia 01 de junho a imprensa brasileira comemorou 200 anos. Esta data marca a circulação do primeiro jornal no Brasil, O Correio Braziliense, que ironicamente era escrito e impresso na terra da Rainha Elizabeth pelo jornalista Hipólito José da Costa.

Perseguido pela inquisição portuguesa, Hipólito da Costa foge para Londres e, em meio a um ambiente efervescente da liberdade de expressão e a resistência dos ingleses contra o domínio de Napoleão Bonaparte, lança o Correio Braziliense, veículo que viria a ser uma importante arma contra o absolutismo no Brasil. Foram mais de 175 edições, encerradas quando seu fundador vislumbrou um país soberano e livre dos defensores do regime absolutista. Segundo o escritor e jornalista Juarez Bahia, "Costa quer um jornalismo que conte tudo o que sabe o jornalista. As verdades que diz fazem desabar reputações, põem a nu a moral corrupta do absolutismo. Preconiza reformas, convoca as Cortes, reclama a monarquia constitucional. É um moderado, mas passa a ser visto como revolucionário, subversivo, incendiário".

Já em seu nascimento, o jornalismo brasileiro mostrou ser moderador sem perder a essência de sua criação, que é desnudar os retratos do cotidiano de nossa sociedade. Em algumas vezes o jornalismo pode até ser usado para mascarar a "moral corrupta dos absolutas", porém, é com o desejo das reformas e a convocação das "cortes" que o jornalismo brasileiro livrou muitas vezes a sociedade de imperadores despóticos, governos tiranos e grupos políticos partidários corruptos.

Há de se comemorar esses longos 200 anos? Sim, temos muito que festejar nestes dois séculos de jornalismo brasileiro. Evoluímos como veículos de comunicação, surgiram e estão sendo formados grandes comunicadores sociais. Entretanto, precisamos tomar cuidado com aqueles pseudos "Faladores ao público". Nesta sublime profissão há pessoas travestidas de ovelhas mas que são na verdades lobos devoradores.

Estas pessoas acreditam que tudo podem e que tudo devem, não se importando o que se leva para o público. É preciso que sejamos receptores mais críticos, sabedores conscientes do nosso papel neste complexo processo de comunicação. Afinal de contas, somos também emissores de mensagens e temos influência e formamos valores em diversos tipos de meios.

É sempre bom ressaltar que uma mensagem maquiada, mascarada ou cheia de ruídos pode deixar dúvidas, gerar boatos infundados, destruir reputações, causar comoções coletivas, e até mesmo revoluções ditatoriais que visam apenas um único objetivo... poder, pois há uma máxima entre os comunicadores que, Quem detêm informação... detêm o poder.

Dilson Cláudio
Jornalista

Publicado quinta, 19 de junho de 2008 as 22:44h. Você pode fazer um Comentário ou mandar um Trackback do seu blog ou site e pode também seguir os comentários atraves do Feed de comentários.

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