Psicologia da Criança para Adultos - Leitura Infantil

Publicado: quinta, 12 de junho de 2008 as 21:20h Faça seu comentário

A leitura é uma importante atividade para o desenvolvimento da imaginação dos indivíduos. Desde muito cedo, antes de terem conhecimento das letras, crianças de diferentes idades se encantam pelas estórias infantis que lhes são lidas - ou contadas oralmente. E a cada nova releitura da mesma estória, uma nova imaginação reaparece, novos significados são dados aos fenômenos, aos personagens, às cenas etc. Em muitos livros infantis estão acompanhados os desenhos, que acrescentam às estórias material pictográfico de cenas, cor e fenômenos complementares, além das formas e expressões faciais que recebem os diferentes personagens que dão "movimento" ao texto.

As tramas e os personagens dos textos de estórias infantis têm, na verdade, um significado importante pelo fato de servirem de projeção das experiências vivenciadas pelas crianças na vida real. Para a Psicologia, os temores reais das histórias de vida de uma criança são revividos nas tramas das estórias infantis. E é devido a este fato que a criança em determinados períodos de sua vida tem o hábito de solicitar aos adultos que releiam por várias vezes uma mesma estória. Assim, da mesma forma que "viaja" pelo mundo do conto, seus conflitos se expressam através de sua imaginação e se organizam na medida em que acompanham o enredo das estórias. Bruno Bettelheim no livro A psicanálise dos contos de fadas afirma que os contos "nos falam na linguagem de símbolos, representando conteúdos inconscientes".

Os contos infantis mais tradicionais descritos pelos irmãos Grimm - Branca de Neve, João e Maria, Chapeuzinho Vermelho, entre outros - e algumas Estórias infantis e Contos mais atuais - da literatura infanto-juvenil brasileira - trazem na essência conflitos comuns vivenciados por toda criança: o medo do desconhecido, o desejo por aventuras, o medo de ser abandonados pelos pais, as dúvidas sobre a sua origem, expressa na dúvida sobre a origem de todas crianças, os temores reais e fictícios "que o lobo mau irá comer alguém"; eles - os conflitos - são reproduzidos de formas diferenciadas, com outras maquiagens, nos contos. O aspecto espaço-temporal dos contos é pouco relevante, tendo em vista que a natureza das experiências humanas infantis têm uma conotação transcultural.

É possível colocar em destaque o quanto a leitura possibilita a construção imaginativa e a fantasia infantil. Isto põe em destaque, portanto, a importância da fantasia, da imaginação e da reflexão para o desenvolvimento da criança.

Sob outra perspectiva, merece destaque a necessidade de incentivar e criar condições para que o público infanto-juvenil e adolescente despertem o interesse pela atividade de leitura.

A adequação da leitura aos interesses do leitor adolescente é um dos elementos favorável ao incentivo à leitura, por exemplo. Finalmente, constata-se que, da mesma forma vivida pela criança, adolescentes quando "mergulham" na leitura descobrem o fascínio que tal atividade provoca ao leitor.

Francisco Moura
Professor de Psicologia da Universidade Federal de Ouro Preto

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