A relação da Mãe com o filho (do sexo masculino) se estrutura de forma diferenciada das precedentes - citadas nas edições anteriores -, principalmente por causa do gênero masculino do filho que, por conseqüência, norteará as interações futuras entre os dois. É necessário afirmar que, independente do sexo da criança, a relação positiva e o apego da mãe com a criança é a peça indispensável para a boa saúde mental da criança; este apego da mãe com os filhos é constante independente da faixa etária deles. Motivo pelo qual utiliza-se correntemente a seguinte expressão: "filho é sempre filho, independente da idade". Sendo assim, é possível deduzir que a saúde psicológica da mãe é fundamental para o bom desenvolvimento bio-psico-social da criança nos primeiros anos de vida.
Todavia, o apego da mãe ao filho é tão intenso que há necessidade de um terceiro personagem romper esta relação para possibilitar o crescimento da criança. Quanto mais rápido o filho se "desprender da mãe" mais rápido é o seu amadurecimento e o seu crescimento em todos os aspectos. Hélio Pellegrine ilustra esta passagem com as seguintes palavras: "o filho, para poder ganhar-se, enquanto sujeito humano autônomo, dono do próprio nariz, precisa criar uma distância respeitável, que o separe da mãe. Isto significa que o filho, para ter a mãe, saudavelmente, necessita perdê-la. O mesmo ocorre com a figura materna, na sua relação com o filho. Ter o filho, enquanto pessoa, centrado na própria liberdade, é abrir mão dele, é consentir na sua existência, como inventor de caminhos" (www.releituras.com/helpellegri_menu.asp).
Abrir mão do filho, como afirma Pellegrine, não é abandoná-lo mas sim, criar uma situação de distância na qual ele possa por si próprio descobrir e experimentar o mundo desde a mais tenra idade.
Ao observarmos os demais animais irracionais constatamos que os adultos rapidamente propiciam situações para "excluírem" suas crias do círculo de convivência fazendo com que sejam autônomos e independentes. No geral, o ser humano tem dificuldades para proceder desta forma. E marcas negativas dos primeiros anos de vida, por excesso de zelo e por excesso de proteção, podem permanecer por muito tempo na representação psicológica dos indivíduos.
Em suma, a função materna é fundamental na organização psicológica da criança, pois é uma referência primordial no seu desenvolvimento. Paradoxalmente, a cumplicidade na relação com o filho é diferente àquela da filha, visto que, é na figura do pai que o menino irá reconhecer habilidades que irão lhe possibilitar autonomia, independência e inserção no campo da sociedade, da masculinidade. No caso da menina, ela se identifica com a figura materna e passará a ser como ela, na sua vida adulta.
Esta é uma concepção teórica plausível para entendermos a organização das estruturas familiares de nossa sociedade.
Como havia escrito na edição anterior, a maternidade é uma dádiva e portanto a mulher merece o reconhecimento e o respeito da humanidade pelo fato de gerar a vida.
Não poderíamos deixar de destacar a data festiva neste segundo domingo de maio que enaltece a mulher por ser mãe. Infelizmente a data festiva se restringe a um único dia e a grande maioria dos filhos e filhas se esquecem dos outros dias do ano.
Francisco Moura
Professor de Psicologia da Universidade Federal de Ouro Preto


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