Psicologia da Criança para Adultos - Relação Pai versus Filho

Publicado: quinta, 24 de abril de 2008 as 21:03h Faça seu comentário

Prezado leitor, dando continuidade aos temas que abordei nas edições anteriores, tentarei sintetizar características marcantes na relação do Pai com o Filho na estrutura familiar. O subtítulo versus foi escolhido propositalmente pelo fato de retratar a ambiguidade expressa nas relações familiares: em certos momentos há conflito e em outros há confraternização. Isto é característico de toda relação humana.

A relação do Pai com o Filho é marcada por fenômenos de natureza bem peculiar em função das características do gênero masculino. Os ideais do pai em ter "um filho do sexo masculino" que antecederam ao nascimento terá uma repercussão na relação que será estabelecida nos primeiros anos de vida entre os dois.

Muito de seus sonhos serão projetados sobre este novo ator que entra neste núcleo familiar.

Por parte do filho é possível constatar que, na medida em que cresce e desenvolve suas múltiplas habilidades humanas, sua autonomia se aperfeiçoa e ele passa a administrar "o seu próprio mundo". Por um lado começa a se relacionar com outras pessoas do seu grupo de amizades e passa a despertar interesse por outros objetos e relações diferentes daqueles tão idealizadas pelos pais.

Por outro lado, gera um conflito entre o ideal do pai que planejou e sonhou sobre o que gostaria que seu filho fosse e aquilo que ele realmente é. Nesse relacionamento há alguns comportamentos característicos.

A ambiguidade do comportamento do filho - abaixo de 10 anos - com o pai é marcada por uma confusão afetiva não linear: há momentos em que sente amor pelo pai e em seguida a criança o odeia; há temor e enfrentamento; há respeito e desrespeito: na tentativa de conquistar terreno e verificar até onde vai o limite imposto pelo pai, etc. A expressão "confusão afetiva não linear" quer dizer que esses afetos não acontecem simultaneamente um após o outro, mas sim de forma desorganizada e em momentos diferentes na presença ou na ausência do pai.

Na verdade, a figura do pai representa na constituição psicológica da criança a lei máxima na qual ela (a criança) procura infligir e acatar ao mesmo tempo. No caso do filho, há um confronto que marca a rivalidade característica do gênero masculino. Tendo o pai como rival, reconhecendo nele a figura de lei naquele núcleo familiar e reconhecendo sua incapacidade para vencê-lo a única saída possível é encontrar um caminho alternativo no qual ele possa ser digno de pertencer a este núcleo familiar. Na conclusão deste relacionamento o filho procurará se identificar com a figura do pai que, de rival passa ser a figura ideal. A partir daí procurará ser e fazer tudo como o pai é e faz.

Finalmente, constato que não há necessidade de utilização de força física contra o filho para a imposição do respeito à figura paterna, pois o que acabo de relatar nos parágrafos acima são configurações psíquicas e representações feitas pelo filho.

Nesta relação pai filho é possível que o pai introduza imagens positivas sem a utilização da força, sem agredir fisicamente seu filho.

Francisco Moura
Professor de Psicologia da Universidade Federal de Ouro Preto 

Publicado quinta, 24 de abril de 2008 as 21:03h. Você pode fazer um Comentário ou mandar um Trackback do seu blog ou site e pode também seguir os comentários atraves do Feed de comentários.

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