Neste terceiro caderno especial, abordando a importância de prevenir e garantir a não proliferação do mosquito da dengue, eliminando toda a possibilidade de foco, entrevistamos exemplarmente uma empresa e uma residência. A idéia é ampliar a conscientização e a importância de todos marianenses junto ao setor público (vigilância epidemiológica) nesta guerra que tem como prêmio final, a preservação da sobrevivência humana. Felizmente em Mariana a situação está sobre controle e apesar de não ser uma unanimidade a atuação dos empresários assim como de cada morador, pode-se constatar que o bom senso tem prevalecido e os maiores multiplicadores da conscientização por incrível que possa parecer são os filhos, porque o assunto vem sido amplamente discutido nas escolas. Na próxima edição visitaremos algumas escolas para registrar o conhecimento dos alunos sobre o combate ao mosquito da dengue.
Entrevista com o empresário Marcos Vinícius da Silva (Farmácia Nativa).
Ponto final: O que você e sua empresa tem feito no combate contra a dengue?
Marcos Vinícius: Bom, primeiramente como profissional de saúde, temos conscientizado a população sobre a necessidade de cada um de combater os criadores do mosquito, então agente precisa tomar uma postura pró-ativa no combate a dengue, cada um fazer o seu papel, não adiante ter investimentos em saúde, gastar rios de dinheiro com métodos de combate ao vetor, combate ao inseto, borrifação de inseticidas por UBV (o fumacê), campanhas e panfletos de conscientização se cada um de nós não tomar a postura de eliminar o criador que está dentro da sua casa e mais de discutir o tema, então nesse sentido eu acho importante que cada um fale sobre a dengue, converse sobre com seus vizinhos, com seus amigos com as pessoas que convivemos no dia a dia.
PF: Vocês já atenderam alguém com sintomas da dengue?
MV: Com sintomas de dengue sim, não a dengue com diagnóstico laboratorial, mas com toda sintomatologia da dengue. É importante a gente frizar que nesses casos as pessoas não devem se auto medicar, porque existem alguns medicamentos que podem levar ao risco e agravo da saúde no caso do paciente está com dengue.
PF: Na sua opinião, a população tem feito a sua parte?
MV: Parcialmente, ou seja, não como deveria, acho que hoje as pessoas sabem do risco da dengue, sabem como ocorre a transmissão da dengue pois a mídia divulga isso muito bem, mas eu acho que sempre podemos fazer mais.
PF: Como combater com eficácia a dengue?
MV : Eu acho que métodos isolados são insuficientes para combater a transmissão. A transmissão vetorial deve ser focada num conjunto de ações, em primeiro lugar , eliminação do inseto vetor do mosquito, então nesse sentido em caso de surtos epidêmicos, a borrifação ela é de grande valia, mas isoladamente ele não consegue controlar a transmissão, então o importante é a eliminação dos criadores, a ação preventiva é muito importante. Cada membro da comunidade, na sua casa, fazer o seu papel eliminando garrafas abertas, pneus velhos e tudo que possa levar a água parada e assim favorecer a multiplicação do inseto vetor. Além disso, a educação primária é muito importante, então nesse sentido eu acho que deveríamos convocar as professoras primárias da cidade a discutir o tema, do primário ao maternal, para ensinar a essas crianças a importância de combater a doença, para que elas sejam multiplicadoras da sua residência, eu acho que a conscientização é muito importante. Porque eu preciso fazer o meu papel, preciso na minha casa tomar certos cuidados, ver se minha caixa d'água está tampada, pois eu posso adoecer, meu filho pode adoecer, meu vizinho pode adoecer, nós sabemos que tem casos de óbitos, não na cidade, mas existem casas com focos de dengue. Então é fundamental esse conjunto de ações e passa pela conscientização e educação primária.
Entrevista com a dona de casa Sra. Terezinha Maria Salomé de Almeida Gomes
Ponto Final: D. Terezinha o que a senhora está fazendo no combate a dengue?
Terezinha: Olha, eu como profissional de saúde, não estou fazendo muita coisa não, mas estou sempre fiscalizando a minha casa e principalmente o ginásio, que estou vendo há dias o acúmulo de água por causa das obras, e estou vendo que as providências tomadas estão sendo poucas , porque há três semanas,estou observando com essas chuvas, a água está acumulando mais. As vezes o sol seca mas a sujeira continua a mesma.
PF: A campanha realizada em Mariana contra a dengue é satisfatória?
TEREZINHA: Não, eu não estou percebendo nada. Por exemplo, a vigilância epidemiológica, pelo menos na minha casa, tem meses que não passa fazendo a visita.
PF: Você tem multiplicado a conscientização dessa campanha ?
TEREZINHA: Olha eu falo muito com a minha irmã, sempre quando eu vou na casa dela. Eu olho no quintal, qualquer coisa que possa acumular água é risco, porque às vezes, se você não falar, as pessoas podem não perceber, e eu acho que se eu falar eu posso está ajudando. Temos que estar sempre evitando e informando.
PF: A população de Mariana está combatendo a dengue?
TEREZINHA: Pelas pessoas que eu conheço e as casas que freqüento,sim. Você pode ver que não precisa da casa ser luxuosa, mas quem se preocupa com a limpeza, você percebe que está colaborando, porque a gente que trabalha na área da saúde temos um certo receio e estamos sempre preocupadas com a higiene do ambiente.
PF: Você teve contato com alguma vítima portadora do vírus da dengue?
TEREZINHA: Não conheço, mas agente sabe que está entre nós e pelo tempo que estou afastada da área da saúde estou um pouco desinformada sobre o índice de doenças na região, então não posso te falar.


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