O título acima nos induz a pensar que falarei sobre questões políticas vinculadas ao desenvolvimento da educação no Brasil e em Minas Gerais, entretanto, não abordarei a ligação entre esses dois temas nessa perspectiva mas sim na necessidade de concebermos a Escola enquanto um espaço apropriado para desenvolver nos indivíduos a habilidade política, característica deste ser social. Parto do princípio que na origem o ser humano é, desde os primeiros contatos com o seu grupo familiar, um homo politicus. Viver em grupo requer uma habilidade de negociação constante, além de forçar os indivíduos a abrirem mão de uma forte tendência egoísta que os impede de se unirem. Viver em sociedade é um exercício permanente de ceder, de negociar e de renunciar a qualquer tipo de agressão ou violência. Assim, deixo claro também que não estou propondo uma discussão político-partidária, apesar da aproximação que existe entre os temas educação e política.
Na última edição deste jornal retomei a discussão entre educação e religião, reforçando a idéia que a escola tem que ser um foco de discussão sobre crenças religiosas. Sem ambiguidade, sugiro que a escola seja um locus capaz de desenvolver a habilidade política que é inerente ao ser humano.
Até então, muitos sistemas educacionais têm privilegiado o desenvolvimento das habilidades intelectuais dos estudantes, aprimorando a essência do homo sapiens - homem inteligente -, portanto, para desenvolver as habilidades de cooperação, de empreendedorismo e a manutenção de um equilíbrio no convívio social é necessário que as escolas criem estratégias para desenvolver nos estudantes sua condição de politicus, participativo. Característica que está presente dentro de cada cidadão. Devemos ensinar aos nossos filhos e aos nossos alunos a pensarem com a mesma intensidade que devemos ensiná-los a dialogar, interagir, relacionar... saber perder é uma habilidade política, por exemplo. O grande livro dos sábios chineses, A arte da guerra, de Sun Tzu, é antes de tudo, um importante tratado de relações humanas e políticas, que apresenta exemplos interessante neste sentido. Ele nos ensina que evitar o confronto físico, agressivo ou violento é uma arte política necessária nas relações. O que constatamos em nossas escolas é o contrário disso: temos cada vez mais crianças e jovens que partem para o confronto físico violento com os seus pares antes de encontrar estratégias de negociação para a manutenção de um equilíbrio no grupo em que está inserido. O que devemos fazer enquanto educadores e pais para desenvolvermos essa habilidade nessas crianças e nesses adolescentes, futuros adultos? A resposta nem sempre é simples. Muitos adultos ainda educam seus filhos na lógica da violência contra violência: se você receber um tapa deve revidar na mesma intensidade, ensinam aos filhos. Defendo a idéia que isso deve ser evitado.
Independente da idade, os indivíduos são "convidados" constantemente a utilizarem de suas capacidades de negociação em qualquer ambiente social onde estiverem inseridos. E, entre crianças e jovens, a força é um instrumento de imposição nessas negociações. Existem outras estratégias de barganha e negociação que podem ser utilizadas sem recorrer à violência: basta inventá-las.
Professor de Psicologia da Universidade Federal de Ouro Preto,


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