Meter a mão no alheio

Publicado: quinta, 13 de março de 2008 as 16:14h Faça seu comentário
Mariana: Apesar dos escândalos que pipocam a cada dia no noticiário brasileiro, o cidadão ainda não consegue crer nas disparidades que parece só existir no território tupiniquim. É de deixar qualquer um boquiaberto. Os gastos da Universidade de Brasília (UnB) na decoração do luxuoso apartamento que o reitor Timothy Mulholland ocupa, sobrou luxo, com home cinema, telas artísticas e lixeiras cujo valores supera a renda familiar mensal de muita gente.

Em um país no qual a educação ainda é para poucos, onde as crianças não enxergam horizontes e têm poucas perspectivas de futuro, as aplicações em pesquisa são insuficientes, o acesso às informações ainda é um privilégio de poucos, e onde ainda existem alunos que andam quilômetros para assistir aulas sentados em caixotes com professores que ganham uma miséria, todo o requinte oferecido ao senhor Reitor dá nojo.

Para certos homens públicos, o dinheiro público deve ser esbanjado por quem está no Poder. E isso, independe que seja do PSDB, PMDB ou PT, reto ou torto, o que importa é aproveitar o momento e os prazeres que o vil metal oferece. E eles dizem mais: é como naquela velha história do cavalo encilhado, passou na frente e não montou, perdeu a vez... Impregnou-se uma cultura do "se dá bem", e perdeu-se completamente a noção da virtude, que para essa turma de sequiosos, meter a mão no alheio, é a coisa mais natural do mundo.Trata-se de descalabro, sem-vergonhice e falta de ética que promovem revolta e indignação.

Só isso? Nem pensar. Este novo escândalo, com os "cartões corporativos", que estourou no colo do governo, envolvendo alguns figurões da República, que com os tais cartões fizeram compras desde a saborosa e inocente tapioca, pagaram almoços, biritas, tapetes, mesa de sinuca, produtos em sex-shop, bichinhos de pelúcia e até saque na boca do caixa, dando uma pequena mostra do quanto vale o caráter de determinadas personalidades públicas brasileiras.

Na frente de dona Marta Suplicy, a gastadeira Matilde, que torrava dinheiro dos cartões alugando carros, é pinto. A relaxada e gozadora ministra do Turismo vai pagar, só a uma locadora, R$ 3 milhões em aluguel de carros, mais de 20 vezes o que gastou a moça da Igualdade Racial. Não foi sequer o PC Farias que inventou estas operações, dirão os acomo-dados, acrescentando vir essa roubalheira dos tempos do Império. Tem razão, mas é bom registrar que as operações sofisticaram-se tanto a ponto de impedir a ação mais completa da Polícia e da Justiça.

Os cartões foram criados pelo ex-presidente Fernando Henrique. Erro total. Tanto a criação quanto a manutenção. Como se faculta a realização de despesas sem que se estabeleça limites e responsabilidades? Uma lambança digna das anteriores dos sanguessugas que superfa-turavam ambulâncias para municípios e da ação da quadrilha criando o mensalão para comprar o voto de deputados. O desastre só não foi maior porque a imprensa divulgou o festival de compras, a torto e a direito.

O que escandaliza, mais do que o próprio escândalo, neste caso, é que a coisa pública foi transformada em coisa privada, como se fosse normal para aquele que puder, funcionário público ou empresário, cidadão comum ou desempregado, meter a mão e locupletar-se do erário. Os portadores destes cartões fazem parte de uma elite. Supostamente conscientes, bem esclarecidas e privilegiadas, que ganham mais do que a massa do servidor público, portanto, pelos cargos que ocupam e a confiança dispensada deveriam se pautar por padrão de conduta ilibada.

E nem falamos, até agora, da vergonha que tem sido o aparecimento de milhares de ONGs (Organizações Não Governamentais) fajutas, criadas à sombra de partidos políticos, sustentadas por dinheiro público, sem prestar contas de seus gastos. São bilhões, todos os anos, fluindo para o bolso de falsos benfeitores da sociedade, ainda que existam ONGs sérias e de relevantes serviços prestados.

Para delinqüir, já chega os grandes saqueadores dos cofres públicos, gente sem nenhum pudor e sensibilidade, motivo maior da miséria existente, principalmente, nas cidades do interior de nosso país. Incrível como pessoas irresponsáveis têm coragem de esbofetear a opinião pública dessa maneira. Qual a causa de tanta corrupção? A impunidade, é claro.Torna-se necessário descer mais a fundo nesse poço infinito. Se os outros podem, porque não poderá o cidadão comum, se em vez de punido, o corrupto é exaltado e seguido como um vencedor?

Quem viver, verá...

O genial físico inglês Isaac Newton, informa a agência AP, teria previsto em manuscrito no século XVIII, a data do fim do mundo: em 2060. Falta pouco estão para acabar também a corrupção no Brasil e em particular em Mariana.

José Sérgio Freitas Guimarães
Técnico de Mineração Aposentado

Publicado quinta, 13 de março de 2008 as 16:14h. Você pode fazer um Comentário ou mandar um Trackback do seu blog ou site e pode também seguir os comentários atraves do Feed de comentários.

  1. Nenhum comentário
  2. Nenhum comentário
    Faça o seu.
Comentar