"Daremos todo o apoio logístico e material para transporte, acondicionamento dos objetos e recomposição da capela no mesmo local, aproveitando as fundações existentes. Para isso, contaremos com a orientação do Iphan e da Arquidiocese", explica o vice-prefeito. "Este é um momento de grande importância para a cultura, para a história e para a comunidade marianense. É uma vitória de todos. Vamos nos reunir com os moradores do Gogô em breve para comemorar este acontecimento e informá-los de todos os detalhes da recomposição da capela", afirma o prefeito Celso Cota. "Esses objetos estão impregnados da alma do local e possuem um simbolismo muito grande para aqueles que lá vivem e que não se conformavam com a retirada da capela", acrescenta o vice-prefeito, Roque Camêllo.
A Capela de Santana foi construída em 1712, no bairro Gogô, e transferida para a capital mineira na década de 70, para a empresa Mendes Júnior, no bairro Estoril, em Belo Horizonte. Com a venda da sede da construtora, em abril de 2000 o acervo foi doado à UFMG. Por se tratar de uma entidade pública não necessariamente católica, a universidade repassou o material à PUC que, por sua vez, não chegou a implementar um templo religioso em sua sede. Dessa forma, os objetos permanecem em um galpão da própria UFMG até os dias de hoje.
De acordo com a professora Eliane Ferreira, da universidade federal, os objetos ocupam cerca de 200m² do local em que estão acondicionados. "O material está embalado e numerado, tendo passado até por um processo de descupinização", afirma.
Noventa dias após a assinatura do acordo, o município apresentará ao Iphan o projeto de recomposição do monumento do século 18, bem como um cronograma para execução das obras.
Comunidade satisfeita
De acordo com o morador do Gogô, Salvador Alves de Freitas, há muitos anos a população do local tenta estabelecer meios de reaver o acervo. "Me lembro que estava concluindo o ensino fundamental, há poucos anos, quando o professor nos perguntou se sabíamos o que existia no lugar das ruínas. Então começamos a fazer pesquisas sobre a Capela para uma feira cultural".
Para Salvador, que mora no bairro Gogô há 33 anos, a recomposição do monumento histórico é motivo de grande alegria para toda a comunidade. "Quando me mudei para cá havia apenas cinco residências. Estou envolvido com essa comunidade até o pescoço. Quando criança tocava o sino da capela e participava das festas", lembra o morador. E acrescenta: "fiquei bastante satisfeito ao saber que a Capela de Santana será reconstruída no Gogô pela Prefeitura porque, dessa forma, nós moradores vimos nosso esforço ser valorizado. Há anos que lutávamos por isso".


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