
Raimundo da Costa Carvalho (Itaverava, 1909 - Ouro Preto, 1967) e Antônia de Ávila Teixeira (Itaverava, 1917 - Ouro Preto, 1974), casaram-se no ano de 1933 e tiveram ao todo, 19 filhos (9 deles nasceram em Itaverava e 10 nasceram em Furquim, distrito de Mariana-MG). Tendo se estabelecido desde 1947 na Fazenda do Miranda, em 1964, e sentindo a necessidade de investir na educação dos filhos, mudaram-se para a cidade de Ouro Preto, permanecendo na fazenda apenas os 2 filhos já casados, Raimundinho e Francisco.
Em 1967 faleceu o Sr. Raimundo, deixando Antônia viúva e 13 filhos, com renda mensal baixa, mas com uma herança de persistência, espírito de solidariedade e obstinação.
A família continuou na luta, que desembocaria em um recorde que, hoje, já se revela imbatível. Mas, talvez o recorde maior seja o maravilhoso exemplo de união-que-faz-a-força, praticado pelos irmãos mais velhos, no sentido de ajudar os que são mais novos. A tônica sempre foi essa: "quem pode mais, ajuda mais", em prol da evolução do conjunto e cada um fazendo a sua parte. Nessa toada de harmonia nenhuma peça desafinou, tornando-se mesmo uma dádiva ter nascido no seio de um grupo tão positivo assim.
O maior exemplo , que desencadeou em todo aquele espírito de colaboração incondicional, foi o do irmão Edézio. Tendo perdido o pai quando cursava o 2o ano de Engenharia; pela sua inteligência e capacidade pessoal; já tinha sido contratado como professor na Escola Técnica Federal de Ouro Preto. Foi o seu salário que manteve os irmãos mais novos estudando, e ele só pedia que não perdessem tempo, ou seja, que eles não perdessem o ano letivo.
Esse belo exemplo foi assimilado por todos e, daí prá frente, foi como uma escadinha: os mais novos que chegavam em condições, assumiam e liberariam os mais velhos, já formados nas despesas de casa.
Nos anos de 1971 e de 1974, a família passou ainda por duas tragédias: em 1971 morre João Gualberto, que cursava o 5o ano de Engenharia, já prestes a receber o tão sonhado diploma de Engenheiro Civil.
Em 1974, falece D. Antônia, a matriarca da família. Os tropeços, no entanto, não desanimaram o pessoal. Continuaram seus esforços, até que todos conseguiram se formar, oito deles na respeitada Escola de Minas de Ouro Preto.
Em outubro de 2007, esta família, maioria marianense foi homenageada pela Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto, que fazia 131 anos de existência, com a medalha de mérito e por estabelecer o recorde do maior número de irmãos formados em suas fileiras. Como até hoje nenhuma outra família conseguiu tal resultado e elas estão cada vez menores, pode-se dizer que é um feito que não mais será batido. Tal proeza é digna de publicação no Guiness Book, o livro dos recordes.
Receberam a Medalha Escola de Minas os 8 irmãos: Edézio Teixeira de Carvalho - Engenheiro Geólogo de 1970; João Gualberto Teixeira de Carvalho (no ato, representado pelo seu irmão Antônio) - Engenharia Civil de 1971; Espedito Felipe Teixeira de Carvalho - Engenheiro Civil, Turma de 1976; Tarcizo Teixeira de Carvalho - Engenheiro Geólogo de 1977; Paulo Damasceno Carvalho - Engenheiro Civil de 1979; José Maria Teixeira de Carvalho - Engenheiro de Minas de 1981; Luiz Gonçalo Teixeira de Carvalho - Engenheiro de Minas de 1982; e Duílio Donizete Teixeira de Carvalho - Engenheiro de Minas de 1984. Os pais não conseguiram ver os seus filhos formados, porém, seus propósitos foram plenamente atingidos. Estudar sempre vale a pena!


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