Tira... Ou não tira?

Publicado: sexta, 18 de janeiro de 2008 as 07:07h Faça seu comentário

Obra de desmonte do Ginásio Poliesportivo é embargada e desembargada em 24 horas.

Os funcionários da Prefeitura que trabalham nos setores que ficam no Ginásio Poliesportivo - SIAT, Conselho Tutelar, PROCON, Junta do Exército, Departamento de Controle Urbano, Renda Mínima, Arquivo, Fiscalização de Posturas, depósito de cestas básicas - ficaram completamente surpresos quando chegaram para trabalhar na quarta-feira da semana passada e não havia mais linha telefônica, sendo informados do desmonte do Ginásio naquele momento e sem saberem para onde iriam tais setores. A Prefeitura informou que uma comissão está responsável por procurar imóveis para alocar tais setores.

Porém, após o início das obras de desmontagem do Ginásio Poliesportivo Osni Geraldo Gonçalves, na última segunda-feira, a turma de oposição ao Prefeito Celso Cota entrou com um pedido de embargo da obra que foi concedida pela juíza Angelique Ribeiro de Souza que determinou que os serviços iniciados de manhã, pela Prefeitura, fossem paralisados, para investigação do processo licitatorio, onde havia suspeitas de supostas irregularidades no procedimento.

Na tarde do mesmo dia, a Justiça embargou a obra, que foi paralisada, após já terem retirado praticamente todo o piso da parte da frente do Ginásio. Essa obra assim como as outras que complementam o turismo de negócios proposto pelo Prefeito, foi anunciada no dia 29 de junho, no auditório do Colégio Providência, durante a 3ª Conferência da cidade de Mariana. A população fica indignada com tais fatos e questiona o porquê de não terem feito esse pedido antes do início das obras. Homens e máquinas trabalharam até a chegada da ordem judicial.

O Ginásio construído na década de 1980, na administração do ex-prefeito João Ramos, já foi alvo de muita polêmica e pendenga judicial, por descaracterizar, segundo alguns, o núcleo histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1938.

"De qualquer ângulo que se olhe, a edificação atrapalha o conjunto arquitetônico de Mariana, primeira vila de Minas (1711), além de primeira cidade e capital do estado", disse o prefeito Celso Cota (PMDB), na manhã de segunda-feira, observando o Ginásio do adro da Igreja de São Pedro, no Bairro de São Pedro.

A obra de desmonte e remontagem do Ginásio vai custar R$ 6,5 milhões aos cofres municipais. O Ginásio, totalmente desmontável, será transferido para a Vila Aparecida onde serão englobadas a um novo projeto de um Complexo Olímpico, com pistas de atletismo, mais três quadras, piscinas de competições, uma piscina de saltos ornamentais, pista de skate e outros equipamentos. No local do Ginásio será construído um Centro de Convenções com projeto do arquiteto Gustavo Penna.

Inconformado com a obra, Alisson José dos Santos, Liu Marmita, de 28 anos, ameaçava se acorrentar às grades, para impedir seu prosseguimento.

O Prefeito se diz respaldado pelo plano diretor votado em 2001, com realização de audiências públicas, e por uma pesquisa recente feita pelo NEASPOC/UFOP na qual 42% dos moradores aprovam a mudança, enquanto 35% são contra.

O advogado Rodrigo Luiz que comemorou a liminar de embargo das obras, afirmou que as obras se anteciparam ao fim do processo licitatorio. "É como se eu pegasse uma picareta e começasse a quebrar tudo", comparou, explicando que o Supremo Tribunal Federal já considerou o Ginásio "fora do Centro Histórico".

O procurador do município, Israel Quirino, entregou no fórum a documentação referente à concorrência pública e a obra foi novamente iniciada na última terça-feira com o aval da Juíza Angelique Ribeiro de Souza que retirou o embargo que foi concedido no dia anterior. Logo depois da concessão da liminar, Israel Quirino entregou no fórum a documentação referente à concorrência pública, da qual saiu vencedora a empresa Diminas Construções e Comércio, de Ouro Preto.

Mais uma vez a população fica no meio de disputas políticas, já que o ex-prefeito João Ramos Filho (ex-prefeito que construiu o Ginásio Poliesportivo nos anos 80) já havia declarado ao Jornal Ponto Final que havia intenções de tentar embargar a obra, pois o mesmo dizia que a retirada do Ginásio era só mais uma obra da administração dele que o Prefeito Celso Cota quer desmanchar como várias outras obras realizadas em suas gestões, segundo João Ramos Filho.

Enviamos ofício ao advogado Rodrigo Luiz Gomes de Almeida, autor do processo para o embargo das obras de desmontagem do Ginásio, mas até o fechamento desta edição não obtivemos resposta.

Publicado sexta, 18 de janeiro de 2008 as 07:07h. Você pode fazer um Comentário ou mandar um Trackback do seu blog ou site e pode também seguir os comentários atraves do Feed de comentários.

  1. 2 Comentários
  2. marciaDomingo, 20 de janeiro de 2008 as 11:29h

    É a melhor iniciativa da P.Mariana, pois só servia para acobertar malandragem

  3. MARCOSQuinta, 24 de janeiro de 2008 as 05:59h

    TÁ MUITO CERTO A RETIRADA DO GINÁSIO, POIS SE A CIDADE QUER APOSTAR NO TURISMOTEM QUE RETIRAR SIM.NÃO COMBINA COM O CENTRO HISTÓRICO.PARABÉNS CELSO PELA IDÉIA

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