Como jornalista, é meu dever defender a livre expressão, mesmo que essa não receba a minha comunhão. Contudo, darei a minha vida para que esse ato, garantido pela Constituição Brasileira, seja realizado. Entretanto, fico espantado quando me deparo com opiniões e conceitos de cidadãos focados em uma única direção, ou seja, macular a vida de outrem.
Na edição passada deste semanário, me deparei com alguns conceitos, um tanto quanto pejorativos, sobre o destino dos recursos públicos municipais. Quero ressaltar que todo e qualquer cidadão tem o direito de cobrar prestação de contas do que foi feito com o dinheiro do povo. Porém, o que li foi na verdade uma sucessão de equívocos e falta de propriedade do assunto proposto, uma vez que esse relato ficou somente no periférico, ressaltando apenas uma visão míope do que acontece realmente no município de Mariana.
Todo cidadão marianense, destituído de qualquer vestimenta política partidária, reconhece que o município nos últimos anos cresceu e recebeu inúmeras obras e ações que vieram de encontro com o desejo da maioria e não de uma pequena parcela da comunidade. Erros e falhas aconteceram, afinal de contas nesses mais de 311 anos de história Mariana foi administrada por homens e não por máquinas programadas. Reconhecimento do errar e falhar só trouxe melhorias para aqueles que dispuseram a tomar sobre si esta qualidade, que é a humildade.
A minha inquietação sobre o referido artigo também foi alimentada pela comparação, porque não dizer ingênua, sobre o que Mariana arrecadava há cerca de dez anos com o que se pretende alcançar em 2008. Um município que consegue saltar de 16 para quase 150 milhões de reais por ano na sua arrecadação só pode ter dito uma única receita. Investir no social, valorizar o cidadão e sua família, atender as pessoas em suas reais necessidades e não fazer obras que "eu" desejo serem realizadas.
Uma administração que consegue aumentar mais de 100% a sua arrecadação em menos de uma década só pode estar no caminho certo. É preciso ressaltar que alguns, digo poucos, não querem seguir por este caminho, desejam andar por atalhos que não levam a lugar algum, apenas nos fazem circular as margens dos nossos objetivos.
Esse salto também mostrou que uma administração precisa ousar, planejar e executar suas ações balizadas em um único objeto, a real melhoria da qualidade de vida do cidadão. E Mariana tem experimentado isso. Quanto à visão míope, referida por mim no início deste artigo, ela pode ser atestada quando o assunto é sobre desconstruir o que foi construído em administrações passadas. Quem procurou conhecer de perto o projeto da Prefeitura de Mariana para 2008, saberia que não é essa a intenção. O que se deseja é melhorar o que já está aí. Ou buscar a melhoria não pode ser um projeto para Mariana?
A construção de um conceito sobre qualquer assunto não pode ser alicerçada em: "falaram que... ouvir dizer... comentam que...", pois, senão, podemos cair na negligência, no equívoco, no descompromisso com a ética e, por que não dizer, no besteirol. A discussão tem que existir, os questionamentos são necessários, mas tudo partindo da primazia que os seus interlocutores possuem propriedade do assunto, porque senão esse embate irá tornar-se uma fragmentação de uma realidade virtual, ou seja, a alienação de pensamentos e idéias.
E quando isso acontece o melhor é nos benzer. Cruz credo...
Dilson Cláudio
Jornalista


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