A Festa que não podemos fazer

Publicado: quinta, 06 de dezembro de 2007 as 13:36h Faça seu comentário

Sábado, 24 de novembro. Sigo o mesmo itinerário de outros sábados, nos últimos 5 anos: no fim da tarde desço a Rua Nova, após o término das aulas do Programa de Pós-Graduação no Colégio Providência, que coordeno.

Como sempre, encontro amigos pelo caminho e vou cumprindo a doce rotina de parar um pouco para conversar.

Elza e Belinha Vieira, Conceição de dona Jovita, João Vicente, Lourdinha Santos, Maria do Carmo e Marcelo, Zé Arnaldo, Vicente e Agostinha, Efigeninha Miguel, Conceição Andrade e, mais abaixo Tasso, são os que mais vejo. E se isso não acontece, desço desapontada para casa, como se me faltasse algo.

Neste sábado, 24, aniversário de meu irmão Mauro, encontro mais alguém: Cônego Paulo Diláscio que não vejo há dias e, logo em seguida Diva, sua irmã.

É ele, Cônego Paulo, que me toca o fundo do coração, ao lembrar que no dia 30 de novembro, sexta feira, dia em que circula o "Ponto Final" e em que minha netinha primogênita, Clara, faz aniversário, se Monsenhor Vicente estivesse ainda entre nós celebraríamos, numa linda festa, seus sessenta anos de ordenação sacerdotal. Suas bodas de diamante, como sacerdote. - Há 60 anos, conta-me Cônego Paulo, Dom Helvécio Gomes de Oliveira presidiu sua ordenação. Parece que foi ontem...

Emocionada, despeço-me e, a caminho de casa, vou pensando em tudo o que Monsenhor Vicente fez por Mariana, pela Igreja, pelo povo marianense, enquanto viveu. Embora saiba que hoje ele repousa ao lado do Pai, sob o olhar amoroso de Nossa Senhora do Carmo, de quem era fervoroso devoto, embora entenda que os desígnios de Deus são sábios e perfeitos, não consigo deixar de sentir uma grande tristeza - que sei que muitos sentirão - por não poder festejar, com entusiasmo e gratidão - esse aniversário de bodas sacerdotais no Santuário do Carmo, com a presença física daquele que dedicou, generosamente, toda sua vida a esta cidade.

Consola-me, no entanto, a certeza de que, no céu, os anjos e santos festejam, por nós, o sanjoanense por nascimento e marianense de coração que continua vivo em nosso afeto e em nossa memória.

Marly Moysés Silva Araújo
Educadora

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